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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Dom do Discernimento dos Espíritos




1 – o que é o Discernimento dos Espíritos?

O Discernimento é uma habilidade ou capacidade dada por Deus de se reconhecer a identidade (e muitas vezes, a personalidade e a condição) dos “espíritos” que estão por detrás de diferentes manifestações ou atividades. Este dom, essencial à Igreja, é geralmente concedido aos pastores do rebanho de Deus e aos que estão em posição de guardar e de guiar os Santos.
Como podemos ver na definição acima, esse dom de Deus nos ajuda, portanto, a perceber a origem de uma intuição, de um pensamento, a causa de um comportamento – especialmente quando este se nos apresenta de forma estranha. O discernimento, assim, é um dom “protetor da comunidade e protetor de todos os outros dons”.
Como dom do Espírito, não procede das capacidades simplesmente humanas, nem das deduções científicas que possamos ter adquirido. “O discernimento é intuição pela qual sabemos o que é, verdadeiramente, do Espírito Santo”.
O discernimento, ainda pode ser visto como uma espécie de visão ou sensibilidade; é uma revelação espiritual da operação de diferentes tipos de espíritos numa pessoa ou numa situação; é o meio pelo qual Deus faz os cristãos tomarem consciência do que está acontecendo.
Após todas estas definições, podemos nos perguntar: Qual o benefício esse dom nos traz, ao ser usado de forma adequada? Como usar esse dom?Como foi usado por pessoas, quando viveram em situações complexas em suas vidas? Como proceder a partir da orientação certa, segura que o discernimento lhes deu? 

2 – O uso do dom do Discernimento

O Carisma em estudo, nos permite agir de forma correta em um fato ou situação que temos em mãos, no momento. Nos permite identificar a causa dessa situação especial, podendo, assim, nos levar à raiz, ao princípio que a move, que a origina, encaminhando a situação acertada e feliz.
O uso do dom nos ajuda, portanto, a conhecer o espírito, isto é, o princípio animador (anima = o que anima, move, movimenta etc). Com ele (dom), podemos chegar, com facilidade, á origem de uma inspiração e confirmar de onde esta pode vir:
- se provém de Deus (ou de Deus por meio de Seus anjos, os Seus mensageiros);
- se origina da mente humana (a qual pode estar sã, doentia, desequilibrada ou alterada);
- se provém dos espíritos maus (do demônio ou de influências espirituais maléficas).
Para que o uso do dom de discernimento, seja utilizado com cada vez mais eficiência e eficácia e como é um dom do Espírito, deve ser usado à luz da oração (especialmente a oração em línguas, que facilita a nossa mente a perceber a orientação de Deus), com sabedoria (dom, como dissemos, que acompanha o uso de todos os outros dons espirituais), com jejum e em comunhão constante com o Senhor.
O discernimento ajuda-nos, ainda, a distinguir o certo do errado, o verdadeiro do falso, e orienta nossas vidas na fé e doutrina de Jesus Cristo.

3 – Jesus e o Discernimento

Jesus se deixou guiar pelo discernimento em diversas situações de Sua vida pública e em Seu ministério e ao passo que tais situações aconteciam, ensinava aos Seus discípulos a também se deixarem guiar pelo discernimento. Veja alguns exemplos em que Jesus utiliza do discernimento:
Quando Seus oponentes (os escribas) atribuíam à Sua ação a presença de um espírito imundo, afirmando q Ele agia por belzebu, expelindo os demônios, Jesus não ia deixar essa afirmação passar assim no barato, e não deixou mesmo!!! E concluiu com um belo discernimento doutrinal, que eles mesmos não tinham percebido. Ele diz: “Como pode Satanás expulsar a Satanás? Pois, se um reino estiver dividido contra si mesmo, não pode durar” e acrescentou “Mas, se é pelo Espírito de Deus que expulso os demônios, então chegou para vós o reino de Deus”.
Na discussão sobre o cego de nascença, relatada em Jo 9,1ss, Jesus não culpa ninguém pela cegueira, mas discerne como ocasião da manifestação da glória de Deus e o cura.
Nas tentações do deserto, Jesus soube discernir como poderia vencer o maligno, lançando mão do discernimento doutrinal da Palavra de Deus.
É vendo esses exemplos na vida de Jesus – e temos muitos outros -, que os apóstolos e nós vamos aprendendo a usar o dom do discernimento, que nos auxilia nas decisões práticas, nas atitudes concretas que podemos seguir.
Tendo os Apóstolos, vivido ao lado de Jesus por tantos momentos em que Ele usou de discernimento e após o Pentecostes, também eles passaram a utilizar frequentemente o dom. Esta é uma atitude que devemos ter em todos os momentos de nossas vidas, devemos pedir incessantemente pelo dom do discernimento, precisamos praticar o dom do discernimento e assim veremos que muitas situações de nossas vidas serão simples e práticas de se resolver.

4 – A natureza do discernimento

Aponta-se diversas naturezas e tipos de Discernimento que são identificados da seguinte forma:

- O discernimento comum ou bom-senso: este tipo é uma fonte de verdade, por ele podemos chegar a importantes conclusões, com base no que a nossa natureza nos faz intuir. O senso comum é uma fonte de informação de como devem os nos comportar, pensar ou agir de forma adequada. Exemplo: Quando vou a Igreja, sei o modo de me vestir. Não necessito da luz espiritual e interior para saber como me devo vestir e portar num ambiente religioso.
- O discernimento científico: é aquele que provém das conclusões científicas e plenamente certas. Quando estamos doentes, o médico nos auxilia, pelo conhecimento científico que já adquiriu, quer pela ciência que estudou e testou, quer por sua experiência no campo de sua atividade.
- O discernimento doutrinal: trata-se do discernimento que a Palavra de Deus, o magistério da Igreja (em seus documentos), já me oferecem. Por esse conhecimento e verdade, posso caminhar firme na fé, desviando-me do que não é correto segundo Deus e a Igreja.
Por esse discernimento, somos levados a distinguir a voz de Deus de outras vozes que nos queiram confundir.
- O discernimento, como carisma do Espírito Santo: esse carisma ajuda-nos a avaliar as coisas de Deus e deixar de lado as que não provém dEle. Auxiliados por esse dom, podemos emitir juízo sobre a natureza de nossos pensamentos, bem como as atitudes práticas, vendo se estas estão em conformidade com a vontade de Deus. Assim, posso discernir se algo é contrário a vontade de Deus e então evitar.
Até o zelo pelas coisas de Deus deve ser acompanhado pelo dom do discernimento, assim como afirma São Paulo ao falar dos Judeus e suplicar por sua salvação: “Eles têm um zelo por Deus, mas um zelo sem discernimento” . Se nosso zelo espiritual ou doutrinal com as coisas de Deus, não forem acompanhados de discernimento, muitas coisas poderá ser afirmada de forma inadequada ou falsificada. 

Fonte: Os Carismas do Espírito Santo
Autor: Pe Isac Isaías Valle


Dos Escritos de Franca Cornado





SAUDADE

Não sei o que se passa comigo hoje, mas sinto uma saudade grande do meu filho João Pedro. Senhor, Tu levaste para o noviciado este meu filho e hoje carrego comigo uma saudade tão grande dele. Sinto que não mais me pertence, que tenho que me pôr de lado para que ele Te sirva na Igreja e no seu futuro ministério.
Não parece, Senhor, mas me custa, me custa demais deixar que este meu filho... siga as Tuas pegadas. Talvez nós mães, pensamos demais nos filhos e não consegui­mos verdadeiramente desapegar-nos deles. Sobretudo eu que os amei apaixonadamente e agora sinto ainda mais o afastamento e a distância deles. Conforto-me pensando em Nossa Senhora, unindo as minhas saudades e angustias às Suas. Ela também aqui na terra sofreu, e às vezes lágrimas de sangue, pelo bem da humanidade.
Nossa Senhora ajuda-me a entregar este meu filho ao Senhor com a Tua mesma generosidade. Ajuda-me a superar o sofrimento que esta distância me proporciona e a pôr sempre e só num plano sobrenatural este pedido de Jesus.
Quiseste o meu primeiro filho, a minha primícia. Peço-Te, meu Senhor, que tome cuidado dele, que ele seja somente um Teu servo fiel até a morte. Torna-o digno desta maravilhosa vocação.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

CRITÉRIOS DE DISCERNIMENTO


               Apresentamos um resumo de dois capítulos do livro: ‘Les révélations dans l’Église’ de Laurent Volken, Mulhouse, Editions Salvator, 1961. O autor, padre saletino, escreveu este livro quando residia em Roma, no Colégio Saletino. Estes dois capítulos, o sexto e o sétimo, podem ajudar a orientar-se no discernimento de presumidas aparições ou revelações.


                Jesus mesmo afirmava que haveria falsos profetas, que fariam grandes prodígios para seduzir os eleitos:“Então se alguém vos disser: Olha o Cristo aqui ou ali, não creiais. Pois hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, que apresentarão grandes sinais e prodígios de modo a enganar, se possível, até mesmo os eleitos. Eis que eu vo-lo predisse” (Mt 24,23-24).

                Como, então, conseguir fazer um discernimento de tais fatos? Não é fácil, mas também não é impossível. Deus oferece aos seus filhos critérios que permitem discernir as revelações verdadeiras das falsas ou diabólicas. Antes, porém, de pensar em algo diabólico, temos que ver se o caso se situa entre as forças da natureza (clarividência, telepatia, etc) ou entre as fraquezas humanas (histeria, esquizofrenia, etc). Neste segundo caso, em casos extremos, recorre-se também ao exorcismo.

CRITÉRIOS INTRÍNSECOS DE DISCERNIMENTO

                O discernimento é um dos dons que S. Paulo  cita na enumeração dos carismas (“a outro, o poder de fazer milagres; a outro, o discernimento dos espíritos...” Cor 12,10).

                Sem um dom especial, não se pode fazer um discernimento seguro.

"Quem, pois, dentre os homens conhece o que é do homem, senão o espírito do homem que nele está?  Da mesma forma, o que está em Deus, ninguém o conhece senão o Espírito de Deus. Quanto a nós, não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que vem de Deus, a fim de que conheçamos os dons da graça de Deus” (1Cor 2,11-12).

                Para chegar ao discernimento, há um caminho carismático, mas há também a indagação humana, iluminada pela fé. Em vista do discernimento, consideram-se estes critérios intrínsecos:

1. O conteúdo das revelações


                Deve-se averiguar se o conteúdo de uma revelação é conforme à doutrina da Igreja Católica. Pode-se rejeitar a priori toda revelação cujo conteúdo seja contrário à doutrina da Igreja.

                “Não acrediteis em qualquer espírito, mas examinai os espíritos para ver se são de Deus, pois muitos falsos profetas vieram ao mundo. Nisto reconheceis o espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio na carne  é de Deus; e todo espírito que não confessa Jesus não é de Deus;  é este o espírito do anticristo. Dele ouvistes dizer que ele virá e agora ele já está neste mundo”(1Jo 4,1-3).

                Este critério não é fácil, pois sempre existem visões teológicas, posições pessoais, maneiras diferentes  de pensar a questão. Também é bom ter presente a lei da adaptação divina à vida humana da pessoa, para discernir o verdadeiro sentido da revelação.

                Lembrar também que o texto apresentado como uma revelação  e que não contém nada contra o ensinamento da Escritura e da Tradição, não constitui uma prova para a autenticidade de uma revelação.

2.  Os critérios da pessoa que recebe a revelação

                “Quid recipitur,  ad modum recipiendi recipitur” diziam os antigos, isto é, "O que se recebe, é recebido conforme o modo de ser de quem o recebe."

                Toda comunicação humana sofre uma mudança do sujeito em que atua e para chegar ao discernimento é necessário perceber até onde chega a mudança da coisa comunicada. "Ficou intacta a substância da comunicação?" Somos forçados a analisar, então, aspectos particulares da pessoa sujeita a revelações, quais por exemplo:

a) aspecto fisiológico

                Não se podem admitir critérios discriminatórios, como por exemplo ser mulher, ter pouco estudo, ser de condições sociais baixas, etc. A diversidade de sexo ou de outra coisa não exige critérios diferentes de discernimento.

                Outros fatores podem intervir no discernimento do ponto de vista físico, por exemplo:

                a doença: não é verdade que uma doença psíquica seja necessariamente uma prova contra a autenticidade de uma revelação, mas há doenças que a excluem como o mal de Parkinson e lesões cerebrais, que causam alucinações auditivas;

                a idade: numa criança não se consegue pensar um desdobramento de personalidade, mas poderia existir algo psicológico. (Cf.. aspecto psicológico).

b) aspecto psicológico

                O diagnóstico  médico, que confirma a perfeita saúde e equilíbrio psicológico do sujeito que apresenta uma revelação extraordinária, constitui um elemento positivo para um julgamento favorável.

                Não só sintomas patológicos, mas também aspectos normais de psicologia podem influir no discernimento, como,

Não só sintomas patológicos, mas também aspectos normais de psicologia podem influir no discernimento, como, por exemplo, uma inteligência aguda ou uma fantasia exuberante. Atenção quando o sujeito tem uma vontade demasiada de aparecer ou de destacar-se.

                É bom desconfiar dos confidentes, que possuem uma instabilidade de constituição psicológica, uma hiper-sensibilidade, uma excessiva impressionabilidade.

                Também a mentira é critério negativo, quer nasça de um fator psíquico, quer se manifeste como ato de ordem moral.

c) aspecto moral

                Para receber uma revelação  de Deus não se exige uma vida moralmente perfeita. Graves defeitos morais são sinais desfavoráveis, mas não constituem um critério negativo.

Alguns defeitos, porém, o constituem como a mentira e talvez a indiscrição, mas a mentira sem dúvida. Deus não pode revelar-se num coração mentiroso.

Três virtudes, sobretudo, chamam a atenção positivamente:

                A humildade, sentir-se pequeno diante de Deus e sincero e justo com os irmãos.

                A fortaleza, para resistir a oposições, calúnias, tentações, ameaças, fofocas, etc.

                A obediência, que não busca seus próprios interesses, mas obedece a Deus e à Hierarquia da Igreja.

3. Os critérios das circunstâncias

                Também as circunstâncias nas quais acontece uma revelação são importantes para um discernimento de presumidas aparições. Assinalam-se:


1. A finalidade: verificar as intenções do confidente, seguir a revelação sem interesse próprio, sem proveito pessoal, sem querer aparecer,  sem querer conseguir destaque na sociedade, nem vantagens materiais.
 
2. A forma: não se consideram revelações onde aparecem coisas ou pessoas deformadas (deformação moral, atitudes falsas, maneiras indecentes..)

 3. A maneira: o discernimento será o mesmo, ainda que a revelação se dê pelos sentidos externos, pela imaginação ou pela inteligência. Uma revelação sob forma de sonho deixa pouca garantia para um discernimento positivo.

 4.  O tempo: nenhum tempo especial é reservado para a revelação, podendo ser ao dia ou à noite, à luz do sol ou na escuridão da noite. De dia parece melhor porque durante à noite a impressionabilidade parece ser maior. Importante considerar também o momento histórico em que se realiza a aparição.

 5. O lugar: não há lugar fixo ou reservado para uma aparição ou uma revelação , embora a Igreja, por si, seria o lugar mais indicado.

 6. Outras modalidades: podem acontecer coisas maravilhosas, fenomenos diferentes na natureza. Também estas coisas podem ser consideradas, embora nenhuma delas, por si, seja um elemento positivo de discernimento.

CRITÉRIOS EXTRÍNSECOS

 Consideram-se sobretudo dois critérios extrínsecos no discernimento de uma aparição: o milagre e a autoridade da Igreja.


1. Os milagres, como critério no discernimento

                Entende-se como milagre um fato sensível, realizado por Deus, que supera as forças da natureza, isto é, apresenta-se como obra de Deus que supera toda possibilidade da criatura.
        
                Também para Jesus os milagres eram um sinal externo para comprovar a sua missão:

 “Se não faço as obras de meu Pai, não acrediteis em mim; mas,se as faço, mesmo que não acrediteis em mim, crede nas obras, a fim de conhecerdes e conhecerdes sempre mais que o Pai está em mim e Eu no Pai” (Jo 10, 37-38). 

“Eu porém tenho um testemunho maior que o de João: as obras que o Pai me encarregou de consumar. Tais obras eu as faço e elas dão testemunho de mim." (Jo 5, 36-37).

                É neste mesmo sentido que se pronuncia a Igreja quando no Concílio Vaticano Iº afirma:          

“Deus quis acrescentar à ajuda interior do Espírito Santo, as provas externas de sua revelação, que são os fatos sobrenaturais e, de forma particular, os milagres e as profecias. São provas muitos seguras e apropriadas à inteligência de todos porque manifestam de maneira excelente a onipotência de Deus e a sua ciência infinita” (Denz. 1790).

                Isto se aplica à Revelação, mas, com as devidas proporções, esta mesma lei se aplica a aparição particular. Se Deus quer agir de forma extraordinária sobre os homens por meio destas revelações, oferece também  provas, entre as quais os milagres têm um lugar de importância toda especial.

                S. Tomás afirma: “Todo milagre é um testemunho. Às vezes, é um testemunho para a verdade, que se anuncia; outras vezes, é um testemunho para a pessoa que o realiza. Ora, todo milagre é realizado unicamente por Deus... O milagre é garantia da verdade mais do que a santidade da pessoa que o anuncia... Os milagres são sinais sensíveis para manifestar uma verdade..”

                Duas condições para o milagre poder ser critério de discernimento:

1. E' preciso que seja verdadeiro

2. Que seja realizado como testemunho da aparição:

a) A veracidade do milagre supõe que este possa ser discernido, pois os milagres são mais facilmente discerníveis que as revelações, sendo indicados pelo Concílio Vaticano Iº como “muito seguros e aptos à inteligência de todos” (Denz. 1790)

b) A aprovação da Hierarquia. Não é suficiente que um milagre aconteça no lugar da aparição para ser considerado prova de autenticidade desta. Mas se for aprovado pela Hierarquia da Igreja, torna-se outro critério positivo de discernimento.

 2. A autoridade da Igreja

            Se o Magistério da Igreja declara que os fiéis podem, com fundamento, acreditar numa aparição como autêntica, não há obrigação de acreditar nela. Porém. tal declaração é, sem dúvida, uma garantia  muito segura da autenticidade e pode ter um grande valor como critério de discernimento.

             Geralmente parece que a Santa  Sé nem aprova, nem condena, mas assume uma atitude de permissão. Mas a Santa Sé menciona aparições  como fatos autênticos, porque declarados assim e comprovados pela autoridade diocesana.

           A autoridade eclesiástica nem sempre adotou a mesma atitude no tocante as revelações ou aparições particulares. Usam-se, sobretudo, os critérios do papa Bento XIV, que ainda hoje orientam os processos de comprovação de milagres para a canonização dos santos.


A RESPONSABILIDADE DOS MINISTROS DA IGREJA

                É muito grande a responsabilidade da Hierarquia da Igreja no tocante a revelação ou a aparição particular. É preciso que ela estude e conheça bem as melhores normas de discernimento.

               Eis as principais:

                1. Não é preciso demonstrar especial interesse nem com o confidente, nem com suas revelações, nem demonstrar admiração, sobretudo se for o confessor do confidente. Ainda menos pedir a ele que consulte o Senhor sobre aspectos de sua vida ou da dos outros. Estas perguntas, diz S. Teresa, nem  agradam a Deus, nem Ele as quer (Cf Subida II,n.7-8).  Pode ser fácil e perigoso deixar-se guiar pelos confidentes.

                2. Nem por isso o padre espiritual do confidente deve agir com severidade  ou com dureza, mas ter uma atitude de acolhida e de bondade, permitindo que as almas possam confiar e se abrir.

                3. Não deve apressar-se para dar um parecer ou um julgamento, mesmo que o confidente queira logo uma resposta clara e precisa. Nada de precipitação, mas se fique observando tudo.

                4. A oração: é preciso rezar e fazer rezar, unindo a penitência à oração. Com a luz do Espírito Santo se entende melhor o que vem de Deus.