segunda-feira, 28 de novembro de 2011

SEMANA DO SACRIFÍCIO - Escola de Espiritualidade

PREPARAÇÃO PARA O RETIRO

SEMANA DO SACRIFÍCIO (PURIFICAÇÃO) 

GASTAI-VOS POR MIM, É URGENTE SOBRE A TERRA O MOVIMENTO CARISMÁTICO. REALIZAI ESTA IDÉIA DE MEU PAI, INÍCIO DA ERA DO ESPÍRITO SANTO...(FC 20.05.70) 

Os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória que deverá revelar-se em nós. (Rm 8,18) 

            Torrente de lágrimas descem dos meus olhos, porque não observam a tua lei. (Sl119, 136)
Do Congresso “Eu sou a Videira e vocês os ramos: MC –Obra de Luz”

Um amor à perda

O MC aprendeu que o amor à verdade e à justiça é uma exigência fundamental do evangelho, mas também um amor à perda. Muitas vezes por fidelidade ao ensinamento de Jesus se pode perder, passar por pessoa não esperta. Por fidelidade a este amor é possível que percamos um negócio, uma pessoa querida, uma amizade, certas vantagens econômicas, tudo por amor à justiça e à verdade. Mas a liberdade interior que se experimenta vale muito mais do que outra coisa, porque a verdade nos liberta, pois a Verdade é Jesus Cristo.

Quem vem ao M.C não pode ter apegos. Agindo assim correremos o perigo de amar a dois senhores. Jesus no Evangelho nos diz claramente:

Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza. (Mt 6, 24)

E prosseguindo ele continua a nos dizer que até quando nos preocupamos com tantas coisas do dia a dia poderíamos esquecer e deixar de lado o tempo que temos para nos ocuparmos com o Reino de Deus:

Portanto, eis que vos digo: não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, pelo que vestireis. A vida não vale mais do que o alimento e o corpo não é mais que as vestes? (Mt 6, 25)  

E mais adiante ele complementa:

Não vos aflijais, nem digais: Que beberemos? Com que nos vestiremos? São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado. ( Mt 6, 31-34)

(Dos escritos de Franca)

Como tu quiseres, Senhor, será assim como Tu quiseres: desapegar-me-ei de todas estas coisas, porque assim me foi ordenado. (...) Amo ir-me embora; “morro porque não morro”; esta frase, agora que experimento, a compreendo muito bem. Mas tenho que ser como Tu me queres, Senhor, aliás ainda mais sorrindo ao meu próximo, que ignora quanto se passa realmente dentro de mim.
“Volta, Israel, ao Senhor teu Deus, porque foi teu pecado que te fez cair” (Os 14,2)
É sempre verdade ser o homem inclinado a criar para si pequenos ou grandes ídolos, que arrebatam de seu coração e de sua vida o que deveria ser dado a Deus. O primeiro ídolo, o cria em si mesmo, na medida em que procura alimentar o egoísmo, o orgulho, a vaidade, a ambição ou o desordenado desejo de afeto. Ao mesmo tempo o induzem com facilidade as paixões e apegar-se a pessoas e a coisas que se tornam outros tantos ídolos. Assim, fica o homem dividido em seus afetos, em suas energias vitais e portanto incapaz de dar-se totalmente a Deus. Se sua vocação o empenha numa vida de santidade e de união com o Senhor, tal situação lhe embarga o passo e, em vez de progredir, fica paralisado. Qualquer apego voluntário, ainda que mínimo, é laço que detém o homem no vôo para Deus e lhe impede a perfeita união com ele.
“Pouco importa – diz S. João da Cruz – ser fino ou grosso o fio que amarra o passarinho, porque, em ambos os casos, está igualmente preso, enquanto não o romper. Verdade é ser mais fácil romper o fio, todavia, se não o romper, não poderá o pássaro voar”(SI,11,4). É a condição de muitas criaturas que, embora desejando dar-se a Deus, deixam-se amarrar por tantos apegozinhos e hábitos imperfeitos. Só a renúncia generosa pode romper esses laços e dar-lhes a plena liberdade de espírito.
(Dos escritos de Franca)

Eu buscarei rezar, meditar e jejuar para conseguir esta grande e enorme graça. Se tu a fizeres, será o milagre maior para mim. Se tu não a fizeres, eu gastarei todo o resto da minha vida para que se forme um...movimento dos místicos, a fim de que eles sejam compreendidos e se acredite neles. De fato, eles, mais do que os outros, precisam ser protegidos pela Igreja, justamente porque para eles a terra se torna náusea.

Pediste-me para entrar no projeto de Deus. Então é bom que saiba que ele é gigantesco e que está me fazendo suar. (07.03.76)
O Céu propõe a todos vós do MC e vós tendes a possibilidade de responder sim ou não. As estrelas me obedecem, mas somente ao homem são apresentadas as propostas do Céu...Deus é o maior humilde, porque propõe, isto é, pede e...espera. (08.07.85)
“Constituído por Deus em estado de santidade, o homem porém, tentado pelo maligno, desde os princípios da história abusou de sua liberdade, erguendo-se contra Deus e ansiando alcançar o próprio fim fora de Deus”(GS 13). Para reconquistar a santidade perdida e restabelecer a comunhão com Deus, cumpre tomar o caminho oposto: desapego e renúncia total. É uma exigência do batismo. Para que a graça batismal conduza realmente à vida nova em Cristo, é necessário a morte a tudo o que leva ao pecado e que, de qualquer modo, se opõe à santidade de Cristo. É exigência do primeiro mandamento dado por Deus, no Antigo Testamento, e reafirmado por Jesus, no Novo: “O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, portanto, o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças”( Mc12, 29-30). Aquele “todo”repetido com insistência está mostrando que “coisa alguma”deve impedir ou diminuir o amor de Deus. Se está o coração ocupado por afetos desordenados ao próprio eu ou às criaturas, não pode amar com todas as forças.
É o meu amor que vos torna santos, porque ele é Fogo que aos poucos queima os restos inúteis; é o meu Amor que atrai à caridade fraterna e à contemplação. (29.05.68)
Eis, Franca, também o teu Deus, o teu Incêndio, não podia arder sozinho. Eis porque quis criar as criaturas, para expandir o Fogo do Amor. (07.05.68)
Eu acendi o fogo dentro de ti. Não o apagues, não temas se crescer, pois eu preciso de pastores de fogo ardente, porque grande é a tepidez sobre a Terra...(15.03.88)
O preceito da caridade tem como recíproca a renúncia total de qualquer afeto em desacordo com o amor de Deus. Não pode ser assumido tal amor. Tem o homem uma só vontade, diz S. João da Cruz, e se esta “se deixa embaraçar e dominar pelo afeto a alguma coisa, perde a liberdade...e a pureza, requisitos essenciais para a transformação em Deus”(Sl 11,6). Quando às criaturas se apega o homem, torna-se escravo das mesmas, e em vez de encontrar nelas auxílio para ir até Deus, encontra um obstáculo, um tropeço. Por isso, insiste o Santo:
“PARA CHEGAR À POSSE DE TUDO (DEUS), NADA QUEIRAS POSSUIR...QUANDO TE DETÉNS EM ALGUMA COISA, DEIXAS DE LANÇAR-TE AO TUDO”
Também o mandamento de amor ao próximo – “Amarás teu próximo como a ti mesmo”(Mc 12, 31) -  tem análogas exigências e para ser observado com perfeição requer renúncia generosa do egoísmo. Renúncia e desapego não são santidade, mas condições indispensáveis para alcançá-la, justamente porque tornam possível a plenitude do amor.
(Dos escritos de Franca)

Tenho a consciência de fazer tudo aquilo que for ao meu alcance. Senhor, quando estou tranqüila diante de Ti, estes pequenos desentendimentos são como um buquê de flores que Te posso oferecer. Aceita, Jesus, a destruição da minha vida. Nunca, nunca mais esquecerei as coisas que quisestes que eu visse. Obrigada, Jesus, eu te devo tudo.
A época do Pai vos ensinou com a Lei o caminho; a época do Filho vos ensinou com a Eucaristia o Amor; a época do Espírito Santo vos ensinará com o EU SOU a ascensão (20.05.78)
A observância dos Mandamentos e de sua Palavra é fundamental para a realização do Projeto do Pai. Aceitando-os e observando-os na vida, dá-se glória a Deus e o Pai vos glorificará por sua vez no Céu (09.04.82)
NECESSIDADE DE APERFEIÇOAR A NATUREZA

Porque sem uma iluminação perfeita não podemos conhecer, nem amar, nem assumir a verdade. E se não o fizermos, aquela iluminação primeira voltaria às trevas. Portanto, é necessário que cada um tenha a iluminação perfeita, qualquer que seja seu estado de vida. Como a pessoa revela sua perfeição, ou seja, como ela chega a conhecer e discernir a verdade ante a mentira e a vaidade do mundo? Nisto: é quando ela com amor vigoroso assume a verdade conhecida e se torna amante da virtude, desprezando o vício e a sensualidade, causa de todo pecado, porque constitui uma lei perversa que luta contra o espírito. É assim que a alma mostra realmente que seu modo de conhecer é perfeito e que a nuvem da infidelidade não embaça a sua fé. Sendo imperfeita essa iluminação, a pessoa olha tudo com segunda capacidade natural imperfeita, sem a presença da virtude. É por isso que devemos reavivar a iluminação natural para eliminar a imperfeição e atingir o conhecimento perfeito, como foi dito acima. (Catarina de Sena, Santa, 1347-1380. Cartas completas / [tradução João Alves Basílio]. – São Paulo: Paulus, 2005. (Espiritualidade)
             A história diante de Deus nunca acaba. Cai o tempo mas a história fica (24.08.83)

Entrar no pensamento de Deus, ter acesso ao seu Projeto é próprio do homem, que, uma vez deificado, poderá conhecer todas as coisas, enquanto os anjos não sabem tudo, nem poderão sabê-lo, porque estes são criaturas e amigos que servem ao homem. Pelo contrário, os homens são filhos de Deus e, no Paraíso, mandarão. Estando em Deus mandarão porque serão no seu pensamento (12.05.82)
(Dos escritos de Franca)

“Coragem, minha filha, estou te preparando grandes coisas. Estou te preparando grandes coisas”. Ultimamente sinto sempre este refrão, ó Senhor, mas eu me tornei depois de tantas provações...uma cobaia...e não entendo mais nada. Entrego-me a Ti, meu Deus, em Ti acredito sempre, em Ti hoje também acredito ainda.
(Dos escritos de Franca)

A perseverança é difícil meu Deus e mais passa o tempo, mais eu me convenço. É difícil mesmo porque gradualmente envelhecemos e as forças diminuem. “Perseverem no meu Amor!”. Estas Tuas santas palavras, são também elas um convite e tudo para o nosso bem. Meu Deus, eu estou fazendo o máximo, mas Tu ajuda-me, porque é difícil!
NECESSIDADE DA MORTIFICAÇÃO
A sabedoria, diz o Espírito Santo, não se encontra entre aqueles que vivem comodamente, ou seja, entre aqueles que concedem às suas paixões e seus sentidos tudo que eles pedem. Pois “os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. Na verdade, os desejos da carne são inimigos de Deus. O Espírito do Senhor não permanecerá indefinidamente no homem, pois o homem é carne”.
             “Os que são de Cristo Jesus -  Sabedoria  encarnada – crucificaram com as suas paixões e apetites; trazem sempre e por toda a parte em seus corpos a agonia de Jesus; fazem a si mesmos uma violência contínua; carregam a cruz todos os dias; enfim, estão mortos e sepultados em Cristo Jesus”.

Não se pense que a Sabedoria, que é mais pura do que os raios do sol, penetre numa alma e num corpo manchados pelos prazeres dos sentidos. Não se pense que ela conceda seu repouso, sua paz inefável, àqueles que amam as companhias e vaidades do mundo!

“Ao vencedor darei do maná escondido!” darei do meu maná somente àqueles que saírem vitoriosos do mundo e de si mesmos. “Ela mesma vai a procura por toda a parte, dos que a merecem. Ela procura porque, sendo o número desses tão reduzido, só muito dificilmente encontra alguns que sejam verdadeiramente desapegados do mundo, suficientemente interiores e mortificados e, portanto, dignos dela, dignos da sua pessoa, dos seus tesouros, da sua aliança com ela. 

 (Dos escritos de Franca)

Estive com o padre. Não sei ainda se de verdade ou para me provar, fingia não se lembrar de mais nada! Ele não saberá nunca a minha dor naquele momento! Senti um golpe tão forte que me fez arrepiar e...se o meu coração ainda bate, é um milagre. Naquele momento este órgão ficou verdadeiramente machucado.
 (Dos escritos de Franca)

Senhor ajuda-me a conciliar a mística com os trabalhos domésticos que são muitos e pesados, e diante dos quais experimento, às vezes, sinto aversão. Seria preciso vinte e dois braços e eu, pelo contrário, só tenho dois. E todos exigem e todos estão prontos, se for necessário, a chamar-me a atenção. Eis uma boa ocasião para exercer a paciência.
             A minha personalidade é ordem, ordem de amor, ordem de verdade, ordem de justiça e quero que seja respeitada também a minha (personalidade) (26.02.77)
Se alguém se maravilhar porque Eu, vosso Deus, posso me comover, então não entendeu nada do Amor. (07.07.72)
             Depois da criação Eu vi que tudo era bom..., sim, fiquei muito alegre, mas agora quando olho o mundo e vejo as suas abominações...não posso mais dizer o mesmo. Consolai o vosso Deus! A dor de Deus não pode conter-se, somente vós o podeis consolar, vós almas amantes da terra. Quem acredita no choro do Senhor? Quem acredita no choro de Maria? (23.05.87)

Mas, a Misericórdia de Deus é infinita somente para quem tem um coração contrito e arrependido. Atenção, então, para não confundir-vos: ela é infinita, mas não porque salva a todos, mas porque salva os corações contritos (16.01.81)
Às vezes uma alma em lugar de fazer a vontade de Deus, faz somente a permissão de Deus...Tende, portanto, um controle para ver se verdadeiramente estais cumprindo a sua vontade. A vontade de Deus é sagrada, enquanto a permissão é somente a aceitação por parte de Deus de uma circunstância específica (02.11.75)
No futuro os que virão para realizar as novidades de Deus, terão em vós a sua referência. Lembrai-vos que vós sois os profetas modernos de hoje, mas sereis os profetas do passado amanhã (24.08.83)
Mas para tanto é necessário iluminar o povo de Deus, para que pense nas promissórias de Deus e não só nas promissórias das coisas, para que conheça e pratique os mandamentos, porque...vence o tempo para cada um (26.07.83)
(Dos escritos de Franca)

Hoje, Senhor, pela terceira vez se me parte o coração! Mas, por outro lado, não To havia já oferecido? (...) Ouvi o namorado da minha dizer-lhe “Pena que tu tiveste uma educação errada por parte da tua mãe!”Sim, porque ensinar a religião é um grande erro!Senhor, não agüentei mais, sendo que desde bastante tempo notava a falta de muitos requisitos!Senti dentro de mim uma coragem de leão e por mais de uma vez disse-lhe: “Se tu tens vergonha do Senhor, eu me envergonho de dar-te a minha filha”....Sofro, Senhor, sofro enormemente, eu que suei sangue para manter a religião na minha família. Meu Deus, são demais as provações a que me submetes, não agüento mais, Senhor. Ajuda-me, Senhor, ajuda-me, estou cansada, não agüento mais...envia-me um Cirineu!
Deus pode mudar seus pensamentos acerca do seu projeto? Sim, pode mudar seu pensamento e isso acontece em geral, conforme o nosso comportamento. Se o homem pode e sabe mudar seu pensamento, também Deus o pode, pois nós somos sua imagem e semelhança (11.03.87)
O Amor no céu não acaba, é eterno, mas sempre novo pelas novidades de Deus. O Amor no céu não pode morrer nunca e é suficiente somente esta certeza para abrir-se à felicidade mais viva. Alegria viva, alegria linda, alegria sagrada, alegria eterna, alegria que envolve, alegria que vai crescendo...em gáudio universal (20.10.83)
O tempo corre veloz, mais rapidamente do que pensais ou podeis imaginar e a meta vos espera. Levantados ou menos, mártires ou não, saibais que deveis ir ao meu encontro. Vós porém não me vereis juiz, me vereis amigo, como esposo, como amante, ver-me-eis como Rei.
Vós me sentis íntimo e quando estais com os íntimos, não tendes mais medo nem por suas culpas, nem pelos seus defeitos...
(Dos escritos de Franca)

Ajuda-me a continuar, porque em certos momentos me sinto só, muito só, e então para consolar-me penso nas coisas místicas que experimentei, que não posso tê-las inventado, que eu não sou doida. Estou cansada de ser considerada de vez em quando assim. E depois o doutor Quarti me disse que sou plenamente sã de mente! Não sentes piedade de mim, Senhor?
              Vigiai sobre a intimidade também entre vós e pedi-a, para que Eu a banhe com a minha intimidade e com a da Mãe Celeste. No banho de espuma do Amor pode acontecer que não vos vejais, pode acontecer que vos choqueis, porque...tateando no banho de Amor de Deus, fica somente o eu e ai se purifica, deixando-se cobrir pelas ondas divinas (15.11.83)

O homem que vai contra o homem, vai contra a minha propriedade (30.04.77)
Quem não corresponde, perde o convite de Deus (12.06.77)
Somente onde há realização como pessoa, aí há a maior glória de Deus (29.11.78)
Quem não consegue minimamente levar o Reino de Deus no seu ambiente é porque ainda não o possui plenamente dentro de si (20.03.81)
             É preciso dispor-se à lógica de Deus. Agradecer até onde se entende e esperar onde não se compreende (13.01.91)

Não se critique o que Deus permite, pois há sempre um fim, escondido aos nossos olhos mas não aos de Deus (21.02.80)
Deus não pode acrescentar palavras (à revelação) porque acrescenta os fatos (24.10.83)
Quem não sabe apagar a própria carne não é apto ao Reino de Deus, nem se pertence ao MC. A pureza!...Quero mais pureza nos elementos que te seguem (18.03.78)
Os puros de coração são aqueles que têm sempre um coração novo! Conseguem isso, exercitando seu coração no amor: trabalham com amor, falam de coração, com o coração esperam, renunciam, amam, não brincam com o coração dos outros, não zombam, mas são fiéis, pacientes, dedicados aos outros. O bom uso do coração, a fina flor da pureza, faz brotar os sentimentos de Deus e Deus se faz também...ver a eles (01.04.78)
Saber distinguir o que é mais do gosto de Deus, o que mais agrada aos seus olhos ou não, deveria ser este o discernimento no coração de cada profeta. Então ele se torna a minha boca também quando Eu não falo. O que diz, então, é provado por mim (20.08.79)
Quem acaricia o projeto de Deus deve casar o projeto de Deus com pensamentos, sentimentos, propósitos = adesão intencional. Deve, pois passar a realizá-lo na prática = adesão operativa (23.10.82)
Não ter medo de entregar a sua vida nas mãos de Deus: existem pessoas que não querem dar este passo, porque querem administrar, por sua conta, a sua vida.”Eu quero almas que não tenham medo de pertencer-me” (07.02.92)
Adorai a mente do Pai que vos criou, aquela mente que é desde sempre e que sempre será criadora de novas formas de Amor. Adorai as suas decisões em todo campo, direção, setor ou tempo. Adorai a sua Palavra, pondo-a no seu coração e, com ela sempre ao seu alcance, fecundando as vossas obras e ações. Adorai os tempos do Senhor que são muito próximos e que são sagrados (29.11.87)
Ser santo hoje não requer particularidade, enquanto o requer ser verdadeiro, ser leal, amar a justiça e defender os meus Mandamentos. E isto, não um dia, mas...sempre.
A santidade não consiste somente na virtude, mas (também) no heroísmo. (13.11.75 – Fonte C)
Cada um que se faz santo tem a própria santidade, a própria característica de santidade. Fazei-vos santos no modo que sentis dentro de vós, não querendo imitar ou copiar os outros. Eu vos disse (,), cada um de vós é diferente dos outros. (08.11.89)

O SENHOR REINA, ALEGREMO-NOS, POIS ELE VEM!


SEMANA DO PERDÃO - Escola de Espiritualidade

PREPARAÇÃO PARA O RETIRO

SEMANA DO PERDÃO

A verdade e a grandeza dos carismas não podem ser lançadas ao mundo a não ser com a unidade. Sede muito unidos. Repito-vos: é da unidade que emana a verdade. (05.02.70)


O que ama as disputas ama o pecado; quem ergue sua porta busca a ruína. O homem de coração falso não encontra a felicidade; o de língua tortuosa cai na desgraça. (Pr 17, 19-20)


O perverso só busca a rebeldia, mas contra ele será enviado um mensageiro cruel. (Pr 17, 11)


Converte-te ao Senhor, abandona os teus pecados. Ora diante dele e diminui as ocasiões de pecado. Volta para o Senhor, afasta-te de tua injustiça. E detesta o que causa horror a Deus. Conhece a justiça e os juízos de Deus; permanece firme no estado em que ele te colocou, e na oração constante ao Altíssimo. (Eclo 17,21-24)
Meu filho, não mistures a repreensão com o benefício, não acrescentes nunca palavras duras e más às tuas dádivas. Porventura o orvalho não refresca o calor ardente? Assim, uma palavra doce vale mais do que o presente. A doçura das palavras não prevalece sobre a própria dádiva? Mas uma e outra coisa se encontram no homem justo. O insensato censura com aspereza; a dádiva de um indiscreto resseca os olhos. (Eclo 18, 15-18)

Antes de julgar, procura ser justo; antes de falar aprende. Usa o remédio antes de ficares doente. Interroga-te a ti mesmo antes do juízo, e acharás misericórdia diante de Deus. (Eclo 18, 19-20)
            Um dos maiores obstáculos à verdadeira vida cristã e ao seu progresso é a falta de perdão, o ódio, o ressentimento. Não perdoando, nos destruímos espiritualmente, psicologicamente, fisicamente: a falta de perdão é um verdadeiro flagelo que arruína as pessoas, o matrimônio, as famílias, a comunidade e a vida social.
            O perdão não é um luxo, ou como muitas vezes se pensa, uma saída ou fuga, mas uma necessidade e uma condição taxativa para sermos perdoados por Deus. Jesus foi muito claro ao dizer:
            “Se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará. Mas, se não perdoardes aos homens, tampouco o vosso Pai vos perdoará”. (Mt 6, 14-15)
            Assim, o perdão é a chave dos nossos relacionamentos verdadeiros com Deus, com o próximo, com nós mesmos. Como Jesus – modelo do perdão – devemos perdoar sempre, de contínuo, sem limites (setenta vezes sete ao dia), de coração, a todos, súbito, também aos inimigos.
O perdão vivido assim tem efeitos libertadores enormes: liberta de toda forma de rancor e ressentimento, é fonte de cura física, psíquica e espiritual, consente a Deus de operar em nós, desbloqueia e aumenta a nossa fé, nos torna livres e verdadeiros. O perdão é uma decisão de fé, é um ato de vontade, e vai vivido em um caminho de fé.


BARREIRAS CONTRA O PERDÃO


PRIMEIRA BARREIRA
Uma grande barreira que não permite a Jesus de perdoar e curar é quando não conseguimos perdoar a nós mesmos e os nossos pecados, assim como os nosso erros; porque a aceitação de si em todos os seus aspectos espirituais, psicológicos, físicos e sociais, é o fundamento de toda a nossa existência vivida em modo verdadeiro. Sem a aceitação de si não podemos amar os outros e nem a Deus.
“Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem. Deste modo sereis filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis?”.  (Mt 5, 44-46)

Ó Senhor Jesus, dai-nos o vosso Santo Espírito que é Espírito de Amor e de Perdão, para que ele nos sustente e nos guie nesta oração de perdão, e nos dê a força de perdoar a todos como tu nos perdoaste. Amém!
A falta de perdão e as críticas são uma constante barreira ao nosso crescimento na fé. Ouçamos o que nos diz a nossa fundadora em uma carta privada:
Caríssimos, muitas vezes me perguntam: como se faz para ter uma grande fé? É sobre este argumento que venho a vocês para dizer-lhes que a FÉ vai repetidamente pedida ao Senhor porque, na verdade, não é nunca suficiente. Devemos dizer: Senhor dá-me uma montanha de fé, dá-me uma fé que remove montanhas!...Mas a fé é também um entregar-se, sem nenhuma crítica à vontade do Senhor.

Quantas vezes Deus tem um sistema totalmente diverso daquele que nós pensamos ou daquilo que nós queremos!

Saber aceitar com confiança TUDO, tudo quanto nos vem de Suas Mãos, também aquilo que humanamente a nós poderia... repugnar! Esta é a fé!

Vemos no Evangelho de Jesus que, antes de ele curar um cego de nascença, cuspiu na terra e depois pega o barro e o aplica sobre os olhos do cego. Humanamente falando, se nós víssemos esta cena, diríamos: ...mas é anti-higiênico, ...mas que sistema!E ao invés disso o cego de nascença, milagrosamente VÊ.     

Igualmente, Nossa Senhora diz a Bernadette Soubirous: “Vai e come a erva! Também aqui humanamente falando diremos: ...mas não é nem uma cabra, mas que modos! E no entanto...daquele modo jorrou a água salutar que curou e ainda cura tantos doentes. E ainda Cristo sobre a Cruz: estava já morto e foi permitido que uma lança lhe perfurasse o peito. Diremos: mas se pode permitir um ato assim cruel a um que já estava morto? E no entanto, jorra sangue e água que para nós, como diz São João Crisóstomo, são símbolos da Eucaristia.

Como vemos, meus caríssimos filhos, é tudo um modo de proceder que não entra no nosso pensamento, mas no SEU, aquele do Pai. É por este motivo que, muitas vezes, rezando vos faço dizer: Senhor...faz-me entrar no teu pensamento. Esvaziemos das nossas idéias, para que aquelas de Deus e os seus modos de proceder são inequívocavelmente INFALÍVEIS.Recordemo-nos que Deus nos ama, de um amor verdadeiro, e quanto nos pede a prova da nossa FÉ é sempre para o nosso BEM, mesmo se muitas vezes não o vemos e não sabemos perceber. Digamos também durante os sofrimentos, de agora em diante continuamente: Senhor, eu creio em Ti; Senhor, eu espero em Ti!

Esta frase dita com o coração durante as provas é FÉ VERDADEIRA, é FÉ ATIVA, não somente FÉ ABSTRATA. Por esta fé, Senhor, nós acreditamos na tua vinda que revirará as coisas do mundo e nos preparará uma perpétua PAZ. Com tanto amor vos recordo e vos recomendo todos a Ele.

(Nas cartas de Franca 16-17)

Fé ativa é a fé concreta, aquela quer ama e age; a fé abstrata é a fé mental, crê, mas não ama até o ponto de comprometer-se com o próximo.

Como é profunda a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus! Como são insondáveis as suas decisões, e como são impenetráveis seus caminhos! Quem poderá compreender o pensamento do Senhor? (Rm 11, 33-34)
Da Carta de Franca

(...) Alguns não querem ouvir falar de carismas, rebatem somente sobre a fé pura. Irmãos meus, justamente se tivermos vivido a fé pura é que chegamos aos carismas e esta mesma fé se torna uma FÉ LOUCA (...)

Dividir-se em grupos e fazer uma meditação em comum de 15 a 20 minutos sobre o assunto exposto. Cada grupo tenha um responsável que diga as conclusões feitas por todos em seu grupo. Não fazer grupos com pessoas habituais e conhecidas, mas com pessoas diferentes.
(SEGUNDO MOMENTO DA FORMAÇÃO)

SEGUNDA BARREIRA

Uma segunda barreira é o ressentimento inconsciente ou ainda consciente que temos contra o nosso próximo. Pensemos aos componentes da nossa família ou grupo: pais, irmãos ou irmãs, maridos ou esposas, filhos, sogras, genros. Reflitamos se em nós se encontram sentimentos de rancor com os colegas de trabalhos, os vizinhos de casa, os amigos. Perdoemos a todos de coração e sinceramente  e levemos a todos a paz que vem de Cristo que cura, liberta e salva.
A justiça é o bom uso do amor, em todos os níveis, com todas as pessoas...Os atos de justiça refinam a caridade, aumentam o amor. (14.05.77)

        Fiquem sempre alegres no Senhor! Repito: fiquem alegres! Que a bondade de vocês seja notada por todos. O Senhor está próximo. Não se inquietem com nada. Apresentem a Deus todas as necessidades de vocês através da oração e da súplica, em ação de graças. Então, a paz de Deus, que ultrapassa toda compreensão, guardará em Jesus Cristo os corações e pensamentos de vocês. (Fl 4, 4-7)

         Comentário ao Ap 2,4: “A caridade cura as debilidades de cada alma, extirpa a raiz de cada vício, ilumina o pensamento, alegra a alma, faz reconhecer Deus. A alma onde a caridade habita não é preenchida pelo orgulho, devastada pela inveja, destruída pela ira, atormentada pela tristeza, cega pela avareza, inflamada pela gula, contaminada pela luxúria. Penetra, portanto, em nós, ó suave caridade. Amplia os obstáculos da nossa alma afim de que possa conter o Senhor...suave recompensa da nossa caridade”. (Comentário in Apocalypsim, obra atribuída a São Bernardino de Sena)
“Vigiem porque certas provas chegam de improviso e vocês devem escolher num piscar de olhos. Assim penso em São José e Nossa Senhora: Precisamos partir ao Egito”. (Franca)

         (Diário)
         (...)É também uma grave falta de caridade o julgar sem verdadeiros motivos (...)


         (...) Em um arrogante que se impõe não existe o meu espírito até quando ele não vença com a caridade a si mesmo.
         Eis o que deveis fazer: falai a verdade uns aos outros; julgai às portas de vossas cidades segundo a justiça e a sinceridade. Não maquineis o mal em vossos corações contra o próximo; não jureis falso, porque aborreço tudo isso – oráculo do Senhor. (Zc 8, 16-17)
         Ora, Deus criou o homem para a imortalidade, e o fez à imagem de sua própria natureza. Foi por inveja do demônio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demônio prová-la-ão. (Sb2, 23-24)
         Não desobedeças ao temor do Senhor e não vás a ele com um coração fingido. Não sejas hipócrita diante do mundo e cuida dos teus lábios. Não te eleves para não caíres e atraíres sobre ti a vergonha, porque o Senhor revelará os teus segredos e, no meio da assembléia, te precipitará, pois não te aproximastes do temor do Senhor, e o teu coração está cheio de fraude. (Eclo 1, 36-40)
Somente quem ama a verdade se dá conta quando faltou com a caridade, enquanto quem usa somente a caridade não se dá conta de quando faltou com a verdade. (24.02.82)
Mas, seguindo a verdade em amor, cresceremos em tudo em direção àquele que é a cabeça, Cristo, cujo Corpo, em sua inteireza, bem ajustado e unido por meio de toda junta e ligadura, com a operação harmoniosa de cada uma de suas partes, realiza o seu crescimento para a sua própria edificação no amor. (Ef 4, 15-16)
         Dirás a todos: prioridade das prioridades é a caridade! Não disse nunca no Evangelho...tenham o vosso caráter, mas antes tomem o Meu. Agora entendes porque São Paulo elogiava a caridade acima dos carismas, porque sem esta, os carismas podem apagar-se. (17.12.77)

A caridade sem a verdade é asmática, muitas vezes perigosa...como os carros-asmáticos. ( ou carismas asmáticos = falsos carismáticos). (12.05.82)

A verdade mais a humildade são o matrimônio da verdadeira caridade. (29.07.83)


A fé vivida é verdade, enquanto que a caridade vivida é amor. (21.12.90)
(Da carta de Franca)


A FALSA CARIDADE
Para podermos ser íntimos com o Senhor nosso Deus precisamos ser puros, puros na mente, no coração, no corpo. Tantas vezes não conseguimos a ser plenamente porque não nos damos conta de um pecado escondido, quase nunca confessado: a FALSA CARIDADE.

Quando uma caridade se diz falsa? Quando debaixo dela se esconde fofocas, medo, interesses ou diplomacia. Eu vos faço um exemplo: se sabes que um teu irmão tem alguma coisa contra ti e te diz ou te faz saber ou te escreve, é absurdo dizer: não respondi por caridade, ou ainda: escolhi o silêncio por caridade, porque o Senhor diz: se sabes que alguém tem alguma coisa contra ti, tens o dever de colocar-se de acordo com ele. Faça-o antes de ir fazer a tua oferta ao altar. Caso contrário, quando estarás diante do Juiz deverás descontar até o último centavo.
Irmãos, filhos meus espirituais, estejamos atentos a falsa caridade, porque debaixo deste perfil muitos chegam e não sabem mais aquilo que fazem. Igualmente, estejamos atentos ao que se trata a conveniência: eu estou ao lado daquela pessoa somente porque tenho interesses que conquistados não me servirá mais: esta também é falsa caridade. Eu vos fiz somente alguns exemplos e existiriam muitos outros a dizer-lhes. Eu vos repito que o Senhor deseja ao invés: clareza, luminosidade, pureza de intenções, pureza de pensamentos. Eu me dirijo também aos carismáticos que muitas vezes no uso dos seus carismas se perguntam como pode ser que se realizam somente pela metade ou uma parte só? Por quê?

Para se desenvolverem inteiramente eles têm necessidade da estrada santa, da qual nos fala o profeta Isaias: existirá uma estrada pura: a chamarão o caminho santo; não a percorrerá o impuro e o tolos não a circundarão. É a estrada que leva ao Paraíso. Filhos, o Paraíso não é uma miragem, é algo que verdadeiramente existe, de que necessitamos esperar. Se entendermos todas estas coisas não agradeceremos nunca suficientemente o Senhor. E agradeçamos a ele por nos ter feito entender qual é a verdadeira caridade. Deus de caridade, transfere-te em nós!
Dirás a eles: cada virtude levada ao máximo grau vos reveste de uma força. A verdade, ao máximo grau, vos leva à força da fé louca. A humildade leva à ilimitada paciência; a paciência leva à máxima caridade. E assim vai... (03.01.82)

Por isto mesmo, aplicai toda a diligência em juntar à vossa fé a virtude, à virtude o conhecimento, ao conhecimento o autodomínio, ao autodomínio a perseverança, à perseverança a piedade, à piedade o amor fraternal e ao amor fraternal a caridade. Com efeito, se possuirdes essas virtudes em abundância, elas não permitirão que sejais inúteis nem infrutíferos no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.Mas aquele que não as possui é um cego, um míope: está esquecido da purificação dos seus pecados.Por isto mesmo, irmãos, procurai com mais diligência consolidar a vossa vocação e eleição, pois, agindo desse modo, não tropeçareis jamais. (2Pd1, 5-10)
(Falando de pessoas que manifestam dons carismáticos, mas agem com pouco equilíbrio)

Veja, são carismáticos sem fio lógico. O que os torna assim é uma forma de rebelião que não conseguem superar porque não foram compreendidos. Sofrem na psique, porém veja, eles têm tanta caridade que podem santificar-se mais do que certos carismáticos sábios. Estes carismáticos que não tem o fio lógico são aqueles carismáticos que não puderam se realizar.
(Não se realizaram como pessoa humana: na vida social, no trabalho, na parte afetiva e emocional)

Dos carismáticos olho a verdade, a lealdade, a fidelidade e a pureza. Se existem estas coisas, a caridade superabunda por si só. (25.01.77)

(Para os carismáticos)

Assim diz o Senhor.

Deixem a mim cada juízo, diz o Senhor. Vocês vivam, rezem e operem na perfeita paz e estima recíproca. Repreendam-se muitas vezes com caridade, mas tenham relações genuínas de fraternidade. Recordem-se que cada estrada dos carismáticos é ligada a outras, porque a minha rede, daqueles que estou pescando no campo extraordinário, é única e toda inteira. (agosto de 68)

(A obra se acelera quando se caminha na unidade)

Ó se todos os membros entendessem isto!

De fato, é a unidade quem promove a caridade e a velocidade.

(Para um missionário apenas reentrado na Itália)

          Aqueles que têm trabalhado na caridade missionária, agora devem trabalhar na verdade missionária (...)

O homem pneumático (espiritual) é aquele que viveu e vive de esperança escatológica. (16.06.92)

          As pessoas esperam os castigos, e estão nesta espera, mas para vocês é já um castigo a espera, enquanto tiverem a esperança e a esperança é a espera da certeza, e a certeza em vocês os faz já fazer penitência na espera. (05.03.84)

Carta Privada

23 de outubro de 1989
(...) Procuro sempre calar por amor ao Senhor e pela paz, mesmo se muitas vezes é próprio o Senhor a permitir a ruptura do silêncio.

Tenho tantas dores, físicos, morais, mas ofereço tudo ao Senhor a cada dia e sempre pelo Movimento Carismático. Seja de qualquer modo o Senhor nosso Deus!
Façamos nosso e para sempre a tarefa de amar!
Creiam, não olhamos nunca o bastante dentro de nós!
             O SENHOR REINA, ALEGREMO-NOS, POIS ELE VEM!

CRITÉRIOS DE DISCERNIMENTO


               Apresentamos um resumo de dois capítulos do livro: ‘Les révélations dans l’Église’ de Laurent Volken, Mulhouse, Editions Salvator, 1961. O autor, padre saletino, escreveu este livro quando residia em Roma, no Colégio Saletino. Estes dois capítulos, o sexto e o sétimo, podem ajudar a orientar-se no discernimento de presumidas aparições ou revelações.


                Jesus mesmo afirmava que haveria falsos profetas, que fariam grandes prodígios para seduzir os eleitos:“Então se alguém vos disser: Olha o Cristo aqui ou ali, não creiais. Pois hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, que apresentarão grandes sinais e prodígios de modo a enganar, se possível, até mesmo os eleitos. Eis que eu vo-lo predisse” (Mt 24,23-24).

                Como, então, conseguir fazer um discernimento de tais fatos? Não é fácil, mas também não é impossível. Deus oferece aos seus filhos critérios que permitem discernir as revelações verdadeiras das falsas ou diabólicas. Antes, porém, de pensar em algo diabólico, temos que ver se o caso se situa entre as forças da natureza (clarividência, telepatia, etc) ou entre as fraquezas humanas (histeria, esquizofrenia, etc). Neste segundo caso, em casos extremos, recorre-se também ao exorcismo.

CRITÉRIOS INTRÍNSECOS DE DISCERNIMENTO

                O discernimento é um dos dons que S. Paulo  cita na enumeração dos carismas (“a outro, o poder de fazer milagres; a outro, o discernimento dos espíritos...” Cor 12,10).

                Sem um dom especial, não se pode fazer um discernimento seguro.

"Quem, pois, dentre os homens conhece o que é do homem, senão o espírito do homem que nele está?  Da mesma forma, o que está em Deus, ninguém o conhece senão o Espírito de Deus. Quanto a nós, não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que vem de Deus, a fim de que conheçamos os dons da graça de Deus” (1Cor 2,11-12).

                Para chegar ao discernimento, há um caminho carismático, mas há também a indagação humana, iluminada pela fé. Em vista do discernimento, consideram-se estes critérios intrínsecos:

1. O conteúdo das revelações


                Deve-se averiguar se o conteúdo de uma revelação é conforme à doutrina da Igreja Católica. Pode-se rejeitar a priori toda revelação cujo conteúdo seja contrário à doutrina da Igreja.

                “Não acrediteis em qualquer espírito, mas examinai os espíritos para ver se são de Deus, pois muitos falsos profetas vieram ao mundo. Nisto reconheceis o espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio na carne  é de Deus; e todo espírito que não confessa Jesus não é de Deus;  é este o espírito do anticristo. Dele ouvistes dizer que ele virá e agora ele já está neste mundo”(1Jo 4,1-3).

                Este critério não é fácil, pois sempre existem visões teológicas, posições pessoais, maneiras diferentes  de pensar a questão. Também é bom ter presente a lei da adaptação divina à vida humana da pessoa, para discernir o verdadeiro sentido da revelação.

                Lembrar também que o texto apresentado como uma revelação  e que não contém nada contra o ensinamento da Escritura e da Tradição, não constitui uma prova para a autenticidade de uma revelação.

2.  Os critérios da pessoa que recebe a revelação

                “Quid recipitur,  ad modum recipiendi recipitur” diziam os antigos, isto é, "O que se recebe, é recebido conforme o modo de ser de quem o recebe."

                Toda comunicação humana sofre uma mudança do sujeito em que atua e para chegar ao discernimento é necessário perceber até onde chega a mudança da coisa comunicada. "Ficou intacta a substância da comunicação?" Somos forçados a analisar, então, aspectos particulares da pessoa sujeita a revelações, quais por exemplo:

a) aspecto fisiológico

                Não se podem admitir critérios discriminatórios, como por exemplo ser mulher, ter pouco estudo, ser de condições sociais baixas, etc. A diversidade de sexo ou de outra coisa não exige critérios diferentes de discernimento.

                Outros fatores podem intervir no discernimento do ponto de vista físico, por exemplo:

                a doença: não é verdade que uma doença psíquica seja necessariamente uma prova contra a autenticidade de uma revelação, mas há doenças que a excluem como o mal de Parkinson e lesões cerebrais, que causam alucinações auditivas;

                a idade: numa criança não se consegue pensar um desdobramento de personalidade, mas poderia existir algo psicológico. (Cf.. aspecto psicológico).

b) aspecto psicológico

                O diagnóstico  médico, que confirma a perfeita saúde e equilíbrio psicológico do sujeito que apresenta uma revelação extraordinária, constitui um elemento positivo para um julgamento favorável.

                Não só sintomas patológicos, mas também aspectos normais de psicologia podem influir no discernimento, como,

Não só sintomas patológicos, mas também aspectos normais de psicologia podem influir no discernimento, como, por exemplo, uma inteligência aguda ou uma fantasia exuberante. Atenção quando o sujeito tem uma vontade demasiada de aparecer ou de destacar-se.

                É bom desconfiar dos confidentes, que possuem uma instabilidade de constituição psicológica, uma hiper-sensibilidade, uma excessiva impressionabilidade.

                Também a mentira é critério negativo, quer nasça de um fator psíquico, quer se manifeste como ato de ordem moral.

c) aspecto moral

                Para receber uma revelação  de Deus não se exige uma vida moralmente perfeita. Graves defeitos morais são sinais desfavoráveis, mas não constituem um critério negativo.

Alguns defeitos, porém, o constituem como a mentira e talvez a indiscrição, mas a mentira sem dúvida. Deus não pode revelar-se num coração mentiroso.

Três virtudes, sobretudo, chamam a atenção positivamente:

                A humildade, sentir-se pequeno diante de Deus e sincero e justo com os irmãos.

                A fortaleza, para resistir a oposições, calúnias, tentações, ameaças, fofocas, etc.

                A obediência, que não busca seus próprios interesses, mas obedece a Deus e à Hierarquia da Igreja.

3. Os critérios das circunstâncias

                Também as circunstâncias nas quais acontece uma revelação são importantes para um discernimento de presumidas aparições. Assinalam-se:


1. A finalidade: verificar as intenções do confidente, seguir a revelação sem interesse próprio, sem proveito pessoal, sem querer aparecer,  sem querer conseguir destaque na sociedade, nem vantagens materiais.
 
2. A forma: não se consideram revelações onde aparecem coisas ou pessoas deformadas (deformação moral, atitudes falsas, maneiras indecentes..)

 3. A maneira: o discernimento será o mesmo, ainda que a revelação se dê pelos sentidos externos, pela imaginação ou pela inteligência. Uma revelação sob forma de sonho deixa pouca garantia para um discernimento positivo.

 4.  O tempo: nenhum tempo especial é reservado para a revelação, podendo ser ao dia ou à noite, à luz do sol ou na escuridão da noite. De dia parece melhor porque durante à noite a impressionabilidade parece ser maior. Importante considerar também o momento histórico em que se realiza a aparição.

 5. O lugar: não há lugar fixo ou reservado para uma aparição ou uma revelação , embora a Igreja, por si, seria o lugar mais indicado.

 6. Outras modalidades: podem acontecer coisas maravilhosas, fenomenos diferentes na natureza. Também estas coisas podem ser consideradas, embora nenhuma delas, por si, seja um elemento positivo de discernimento.

CRITÉRIOS EXTRÍNSECOS

 Consideram-se sobretudo dois critérios extrínsecos no discernimento de uma aparição: o milagre e a autoridade da Igreja.


1. Os milagres, como critério no discernimento

                Entende-se como milagre um fato sensível, realizado por Deus, que supera as forças da natureza, isto é, apresenta-se como obra de Deus que supera toda possibilidade da criatura.
        
                Também para Jesus os milagres eram um sinal externo para comprovar a sua missão:

 “Se não faço as obras de meu Pai, não acrediteis em mim; mas,se as faço, mesmo que não acrediteis em mim, crede nas obras, a fim de conhecerdes e conhecerdes sempre mais que o Pai está em mim e Eu no Pai” (Jo 10, 37-38). 

“Eu porém tenho um testemunho maior que o de João: as obras que o Pai me encarregou de consumar. Tais obras eu as faço e elas dão testemunho de mim." (Jo 5, 36-37).

                É neste mesmo sentido que se pronuncia a Igreja quando no Concílio Vaticano Iº afirma:          

“Deus quis acrescentar à ajuda interior do Espírito Santo, as provas externas de sua revelação, que são os fatos sobrenaturais e, de forma particular, os milagres e as profecias. São provas muitos seguras e apropriadas à inteligência de todos porque manifestam de maneira excelente a onipotência de Deus e a sua ciência infinita” (Denz. 1790).

                Isto se aplica à Revelação, mas, com as devidas proporções, esta mesma lei se aplica a aparição particular. Se Deus quer agir de forma extraordinária sobre os homens por meio destas revelações, oferece também  provas, entre as quais os milagres têm um lugar de importância toda especial.

                S. Tomás afirma: “Todo milagre é um testemunho. Às vezes, é um testemunho para a verdade, que se anuncia; outras vezes, é um testemunho para a pessoa que o realiza. Ora, todo milagre é realizado unicamente por Deus... O milagre é garantia da verdade mais do que a santidade da pessoa que o anuncia... Os milagres são sinais sensíveis para manifestar uma verdade..”

                Duas condições para o milagre poder ser critério de discernimento:

1. E' preciso que seja verdadeiro

2. Que seja realizado como testemunho da aparição:

a) A veracidade do milagre supõe que este possa ser discernido, pois os milagres são mais facilmente discerníveis que as revelações, sendo indicados pelo Concílio Vaticano Iº como “muito seguros e aptos à inteligência de todos” (Denz. 1790)

b) A aprovação da Hierarquia. Não é suficiente que um milagre aconteça no lugar da aparição para ser considerado prova de autenticidade desta. Mas se for aprovado pela Hierarquia da Igreja, torna-se outro critério positivo de discernimento.

 2. A autoridade da Igreja

            Se o Magistério da Igreja declara que os fiéis podem, com fundamento, acreditar numa aparição como autêntica, não há obrigação de acreditar nela. Porém. tal declaração é, sem dúvida, uma garantia  muito segura da autenticidade e pode ter um grande valor como critério de discernimento.

             Geralmente parece que a Santa  Sé nem aprova, nem condena, mas assume uma atitude de permissão. Mas a Santa Sé menciona aparições  como fatos autênticos, porque declarados assim e comprovados pela autoridade diocesana.

           A autoridade eclesiástica nem sempre adotou a mesma atitude no tocante as revelações ou aparições particulares. Usam-se, sobretudo, os critérios do papa Bento XIV, que ainda hoje orientam os processos de comprovação de milagres para a canonização dos santos.


A RESPONSABILIDADE DOS MINISTROS DA IGREJA

                É muito grande a responsabilidade da Hierarquia da Igreja no tocante a revelação ou a aparição particular. É preciso que ela estude e conheça bem as melhores normas de discernimento.

               Eis as principais:

                1. Não é preciso demonstrar especial interesse nem com o confidente, nem com suas revelações, nem demonstrar admiração, sobretudo se for o confessor do confidente. Ainda menos pedir a ele que consulte o Senhor sobre aspectos de sua vida ou da dos outros. Estas perguntas, diz S. Teresa, nem  agradam a Deus, nem Ele as quer (Cf Subida II,n.7-8).  Pode ser fácil e perigoso deixar-se guiar pelos confidentes.

                2. Nem por isso o padre espiritual do confidente deve agir com severidade  ou com dureza, mas ter uma atitude de acolhida e de bondade, permitindo que as almas possam confiar e se abrir.

                3. Não deve apressar-se para dar um parecer ou um julgamento, mesmo que o confidente queira logo uma resposta clara e precisa. Nada de precipitação, mas se fique observando tudo.

                4. A oração: é preciso rezar e fazer rezar, unindo a penitência à oração. Com a luz do Espírito Santo se entende melhor o que vem de Deus.