segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

A FIGURA DO CARISMÁTICO



As caraterísticas do carismático tocam em aspectos de vida espiritual bastante comuns a todos os cristãos, que buscam corresponder em sua vida às exigências do seu batismo.
Isso nos faz compreender que o carismático não é uma pessoa especial, como se fosse um santo ou uma pessoa complemente diferente dos outros, porque tem dons extraordinários. Fundamentalmente o carismático é uma pessoa que vive na Igreja, com a Igreja e pela Igreja sua vocação de cristão, sua caminhada de filho de Deus.

AS CARATERÍSTICAS DO CARISMÁTICO

Os traços marcantes da figura de um carismático são mais simples do que se possa pensar:

1. O CARISMÁTICO DEVE SER REALIZADO COMO PESSOA HUMANA.
É a característica fundamental, que pode dar credibilidade ou não ao que o carismático possa afirmar ou realizar.
Deve se sentir feliz e contente na sua caminhada de fé. Ele também tem seus problemas, os seus defeitos, a sua história com as limitações humanas que as circunstâncias, as pessoas e os acontecimentos sempre impõem a todos.
O seu carisma se apresenta em sua vida não como fruto de compensações afetivas, de frustrações várias ou de complexos antigos, mas como vontade sincera de servir ao Senhor e aos outros, com suas capacidades naturais e com os dons especiais, que às vezes podem aparecer no horizonte de sua vida.

    "SOMENTE ONDE EXISTE A REALIZAÇÃO COMO PESSOA, HÁ TAMBÉM A MAIOR GLÓRIA DE DEUS"

                        O carismático deve, portanto, demonstrar de ter um grande equilíbrio, uma grande capacidade de continuar sua vida com o mesmo empenho que deve animar qualquer um, procurando exercer o bom uso dos dons ordinários e extraordinários, para o bem dos irmãos e nunca movido por um desejo inconsciente ou consciente de parecer o melhor ou pelo desejo somente de uma afirmação pessoal.

2. O CARISMÁTICO DEVE SER HOMEM E/OU MULHER DE GRANDE ORAÇÃO.
Nele a vida de oração deve ter uma dimensão toda especial. Em comunhão com o Senhor, Deus da nossa vida e da nossa história, ele se percebe sempre mais como um instrumento nas mãos dele, desejoso de realizar somente a vontade dele, que se manifesta em primeiro lugar dentro da vocação pessoal, que cada um escolheu ou pretende escolher.
Na sua vida de oração, o carismático deve prestar atenção a:

a) Rezar bem, porque a oração é abertura do coração ao diálogo com Deus. “O carismático de oração não é aquele que reza horas e horas, só para dizer "rezei muito", mas é aquele que reza com atenção, com abertura de coração à confiança de Deus; é aquele que não esquece que a oração é colóquio com o Altíssimo. Por isso, o carismático deve curar a sua maneira de rezar, se não a sua oração se torna como zumbido de abelhas, só faz ruído”.

b) Buscar a intimidade com Deus no silêncio e na adoração e sobretudo na celebração eucarística, onde melhor se efetua esta união íntima com o Senhor. O carismático deve prestar bem atenção a não desperdiçar esta intimidade com Deus, mas a aprofundá-la sempre mais.

c) Bendizer a vontade do Senhor, sobretudo quando o carismático percebe que o seu carisma exercido não dá sempre os seus frutos. Neste momento, é importante então oferecer ao Senhor esta humilhação, renovando da mesma forma sua fé nele. Deus que tudo vê saberá se servir de todo esforço seu, mesmo sem percebê-lo. Assim como nem sempre sopra a palavra, nem sempre sopra a ação. É necessário aprender a bendizer sempre a vontade de Deus.

d) Rezar para os carismáticos, para os que sofrem, que vivem isolados e fechados em si, que ainda não entenderam que o carisma ou dom recebido é para os outros e não para si, que ainda não aprenderam a viver na amizade com os outros carismáticos. Sobretudo é importante rezar junto aos outros carismáticos, para conseguir milagres do céu e louvar o nome do Senhor, se é no nome dele que os carismáticos deverão fazer prodígios com os seus carismas.

     REZAR JUNTOS PARA OS CARISMÁTICOS É "LINFA VITAL".

3. O CARISMÁTICO DEVE SER OBEDIENTE À HIERARQUIA DA IGREJA            

O amor filial à Igreja é uma característica indispensável, que sobretudo deve manifestar-se na obediência serena e humilde à Hierarquia. Vários carismáticos se perderam ou se perdem ainda hoje, porque não se preocuparam de cultivar em si esta disposição fundamental da vida de todo cristão. Pelo contrário, a obediência fiel para com a Hierarquia se torna motivo de maior luz para todos. O Senhor age na ordem e não no caos, na confusão. Por isso, os carismáticos devem ser orientados pela Hierarquia, a qual por sua natureza é chamada a discernir os carismas. Esta submissão à Hierarquia não deve ser diplomática ou interesseira, mas deve ser sincera, obediente e humilde.         

4. O CARISMÁTICO DEVE SER VERDADEIRO, PURO, LEAL E FIEL

A virtude que mais claramente deve manifestar-se num carismático é o amor à verdade, procurando não deixar-se enganar, nem enganar os outros. Por isso todo carismático deve fazer uma promessa a Deus de ser em tudo amante da verdade, seja nas coisas extraordinárias assim como em todos os momentos de sua vida. Saber tornar-se verdadeiros adoradores do Pai, que adoram em espírito e verdade.

Se tem este amor à verdade, o carismático será também muito humilde, reconhecendo a necessidade de ser avaliado pelo Hierarquia da Igreja, aceitando de confrontar-se com outros carismáticos, aceitando a espera sofrida da realização do que ele anuncia, estando aberto e disponível para qualquer missão o Senhor queira lhe pedir.
Se, enfim, existem no carismático pureza, lealdade e fidelidade, a caridade por si mesma estará abundantemente presente.

COMO DEVE ORGANIZAR-SE O CARISMÁTICO

          Em nível pessoal, é necessário que o carismático se organize, sendo que o dom extraordinário de Deus não tira a iniciativa pessoal. Pelo contrário, ele pode condicionar muito a manifestação dos dons e até sufocar ou anular a iniciativa de Deus.
O que pode fazer, então, o carismático? A ele cabe:

1. Conhecer e saber exercitar a prática do discernimento para poder compreender o que vem de Deus e o que pode ser simples interferência pessoal ou influência dos outros. Momento propício para este discernimento pode ser um retiro, os exercícios espirituais, dias de deserto...

2. Escrever as locuções ou mensagens que sente. Este gesto se torna para o Senhor o maior gesto de confiança nele, sem com isso presumir já a veracidade de toda e qualquer coisa, só pelo fato de ter escrito a locução.

3. Realizar na prática e ajudar para que as várias locuções possam ser atuadas, sabendo que o mais importante não é o que vem dito ao carismático, mas o que for realizado por ele, sendo tais ações o cumprimento do amor de Deus.

4. Manter uma atitude de filial obediência à Hierarquia, que para ele pode ser representada pelo padre espiritual, o Bispo, uma comissão especial para isso constituída. São as pessoas que na Igreja são chamadas a discernir os vários carismas e a reter o que é bom para o seu uso na Igreja.
O verdadeiro carismático deseja e gosta de deixar-se questionar ou discernir pela Hierarquia, porque quer ter certeza que o que sente vem de Deus e porque sabe que todo dom deve ser colocado a disposição dos irmãos e a serviço da Igreja.

5. Sensibilizar as grandes massas, que ainda nada sabem sobre os carismas. Pode fazer isso de várias formas, mas cada carismático, também o mais escondido, deve prontificar-se a falar e a ensinar. É necessário sensibilizar o mundo, mesmo enfrentando reações negativas ou obstáculos. Os carismáticos, enfim, que acham ter capacidades para pregar nas igrejas, nos conventos, nos cenáculos devem estar dispostos para exercer este serviço.

6. Aderir ao Movimento Carismático (M.C.), inspirado pelo Senhor, para reunir todos os carismáticos do mundo, a fim de que possam confrontar os seus carismas com os dos outros, aprender a discerni-los com a ajuda da Hierarquia e a oferecê-los para o bem da Igreja.
O carismático que não sente esta necessidade é um carismático pela metade, porque não possui a plenitude do Espírito Santo. Quem de fato se une aos outros carismáticos no MC é como se fosse promovido pelo Senhor. Recebe a graça de estado para exercer o seu carisma e não corre o perigo de debandar. Pertence ao MC todo aquele que assume plenamente seu compromisso de fé nas obras extraordinárias de Deus e procura testemunhá-las na comunidade eclesial, depois de ter pronunciado um  ato de consagração ao Senhor,  assinado pessoalmente.



OS PERIGOS DE UM CARISMÁTICO

          Não é difícil imaginar a quantos perigos pode ser exposto o carismático. Já se acenou a algo anteriormente. Como cristão, o carismático corre todos os perigos que se apresentam a quem quer seguir o caminho do Senhor, mas, além disso, pode enfrentar maiores dificuldades por causa dos dons recebidos.

1. Não querer apresentar seus dons à Hierarquia - Se um carismático não tem paciência para manifestar à Hierarquia da Igreja os seus carismas ou não possui humildade suficiente para aceitar de ser avaliado, facilmente ele pode desviar-se do caminho, servir-se do seu dom a seu bel prazer e perder assim a missão que o Senhor queria lhe confiar.
2. Não sentir a necessidade da união - É urgente que se realize a unidade dos carismáticos, fruto do Espírito Santo, que quer reunir todas as pessoas favorecidas por carismas extraordinários. Existem carismáticos que preferem isolar-se, caminhar sozinhos, sem compreender que devem favorecer a unidade carismática. Somente assim podem evitar o perigo de "perder o horizonte", no qual deve estar presente o seu carisma, e o perigo de não saber mais o que fazer.
3. Não saber superar as provas da perseverança - Na vida do carismático, existem momentos, em que surgem incompreensões e às vezes injustamente. Pessoas boas que podem nos contrariar, projetos bons que não se realizam. São as provas da perseverança. O inimigo, não conseguindo pegar quem já é de Deus, o provoca naquilo ou naquelas pessoas que o circundam. É necessário perseverar no amor do Senhor, sem desanimar, sem diminuir a oração, sem perder a justa visão das coisas, sem fraquejar na fé e na caridade.
4. Deixar-se vencer pela soberba e pelo orgulho - O perigo da soberba pode começar com pequenas coisas que nos irritam, que nos fazem perder a paciência., levando a gente a faltar ao amor e a ficar triste.
Pode também acontecer que o carismático se sinta orgulhoso pelo dom recebido e se sinta como dono dele. É este o perigo principal, que pode levá-lo a não se comportar de forma correta, a contrapor-se a outros carismáticos, a não querer se unir com os outros carismáticos, sobretudo quando pode entrar em jogo interesses pessoais ou situações de privilégio.
"Os carismáticos que se contrapõem a outros
são os que têm medo de perder
o seu estado de privilégio, sobretudo financeiro.
Não somente o Senhor quer confundir os soberbos,
mas também quer confundir os carismáticos soberbos"

Uma atitude de soberba pode induzir o carismático a colocar a sabedoria em primeiro lugar, esquecendo que antes de mais nada é sobretudo o amor, a humildade, a submissão à Hierarquia, a obediência e a lealdade.

5. Querer antepor-se a Deus - É a tentação de não querer que o Senhor nos conduza, ele que quer atuar na nossa história por meio dos carismáticos também. Por isso, devemos respeitar os tempos do Senhor e os seus métodos para realizar as obras, procurando ser humildes, pacientes, sem precipitar-se, respeitando os momentos de Deus, ele que dirige a história e que guia os carismáticos.


6. Viver em estado de graça de forma habitual, porque o carismático, que não vive assim e não se esforça de viver a amizade com Deus, pode perder a clareza das locuções, perder o sentido ou valor delas, porque é como se ficasse obstruída a audição da alma e do coração

7. Amar o extraordinário mais que a verdade. É o perigo maior que pode estar presente na vida do carismático. Pelo contrário, é necessário que o carismático, com todas as suas forças, ame a verdade mais do que os mistérios, se não quer correr o perigo de se tornar um sonhador, de afirmar coisas não verdadeiras e de enganar a si mesmo e aos outros. Com a verdade se atua, não se sonha.

8. Não querer associar-se ao Movimento Carismático (MC) - Todo carismático é convidado a por em comum os dons recebidos, para que possam ser melhor avaliados e submetidos à aprovação da Hierarquia. Por isso existe o MC, que Deus parece querer para que se realize a união dos cristãos através a união dos carismas a serviço da unidade da Igreja. Para muitos carismáticos pode parecer difícil aceitar esta dependência do MC, mas devem saber que quem recusa de participar corre o perigo de debandar, de sair do caminho, mesmo sem percebê-lo.
                        O Senhor, de fato, quer que todo carismático entregue a sua "página" para constituir o seu grande "livro". Isso, porém, só é possível em comunhão com o MC de Assis, para que, através da unidade dos carismáticos, se realize a união dos cristãos.

A DIREÇÃO ESPIRITUAL DO CARISMÁTICO





Na espiritualidade cristã a figura do padre espiritual é de suma importância, para ser aquele que orienta as pessoas na fé, não dizendo o que elas devem fazer, mas ajudando-as a descobrirem o seu caminho, à luz da palavra de Deus, dos acontecimentos e dos apelos da vida.
A orientação espiritual ajuda a fazer emergir à consciência das pessoas qual seja vontade de Deus, sublinhando aspectos, apontando elementos novos, apreciando atitudes espirituais pessoais, que podem influir no seu caminho de fé.
·      A FUNÇÃO DO PADRE ESPIRITUAL

Se para todos é importante ter um padre espiritual, ainda mais este é necessário para uma pessoa carismática, chamada por Deus a realizar algum projeto ou a oferecer seu dom para a comunidade eclesial. Por isso,

"O Padre Espiritual se constitui como a sinaleira
na estrada do carismático, por isso é bem
que todos tenham o seu padre espiritual"

Esta comparação nos permite destacar que a função do padre espiritual é a de aconselhar, de orientar e sobretudo de impedir que o carismático cometa exageros, caia em atitudes de fanatismos ou não saiba discernir e exercer bem o seu dom.

Cabe ao padre espiritual estar atento também a certos perigos, que o carismático pode encontrar na sua vida espiritual. Ao mesmo tempo, ele deverá animar o carismático na sua missão e ajudá-lo nos seus problemas.

·      AS CARATERÍSTICAS DO PADRE ESPIRITUAL

1. Antes de mais nada, os presbíteros que são chamados a colaborar no contexto dos carismas extraordinários, devem assumir um compromisso de consciência diante do Senhor.

É um empenho sério, que não se reduz somente ao acompanhamento de  pessoas carismáticas, mas chega a participar da missão delas, procurando orientá-las a valorizar o seu carisma discernido e tentando formar a unidade de todos os carismáticos do mundo.

2. Assumido este compromisso, o padre espiritual deve dedicar-se ao estudo da palavra que Deus quer manifestar pelos carismáticos. Este estudo deve ser feito em espírito de humildade e de verdade com o único desejo de ajudar o carismático no discernimento de seus dons.

"Se os Bispos e os sacerdotes
se aplicarem ao estudo da palavra de Deus,
manifestada pelos seus instrumentos,
se eles não terão soberba,
mas humildade e espírito de verdade,
a Pentecostes descerá sobre eles"

3. o Padre espiritual não deve deixar-se levar pela pressa de julgar ou de ver acontecer muitas coisas, mas tudo deve realizar-se no amor à verdade, principal compromisso para todos os cristãos, sobretudo de quem atua no meio carismático. O amor à verdade deve estar sempre em primeiro lugar.

"Se alguém disser que... vocês vão devagar, respondam que vocês amam a verdade
mais do que os carismas;
onde se ama a verdade, EU SOU"

4. As características, antes apontadas para o carismático, valem também para o padre espiritual. De qualquer forma, pela sua posição e pela sua experiência de fé, ele deveria ser uma pessoa capaz de discernir, capaz de difundir justiça, paz, humildade e unidade.

5. Acreditar que o Senhor Jesus enviará seu espírito de verdade para ensinar as coisas futuras. Este ensinamento se dá também por meio dos carismas, por isso é necessário ajudar a Hierarquia da Igreja a assumir  estas coisas.

"Aos apóstolos o Senhor disse:
"Virá o Espírito de Verdade, que vos ensinará
as coisas futuras. Ensinar-vo-las-á
por meio dos carismas, mas devem ser
os sacerdotes, os bispos e os Cardeais
a tomar a peito estas coisas"

6. O padre espiritual deve também  ser avaliado pelo Episcopado, assim como ele depois avaliará os carismáticos. A tarefa é muito grande e importante e a Hierarquia deve escolher pessoas aptas e capazes para desempenhar esta missão.

7. Os padres espirituais devem prestar atenção a não esconder os verdadeiros carismáticos, isto é, mantendo-os no escondimento, no silêncio e na sombra, impedindo-os de brotar e de dar o seu fruto. Assim como devem cuidar a não querer somente para si o privilégio de acompanhar e de beneficiar-se dos dons que os carismáticos apresentam. Não seriam verdadeiros orientadores espirituais, se assim fizessem.

8. O padre espiritual não deve maravilhar-se de encontrar um número grande de carismas e de carismáticos, porque sempre o Senhor suscitou estes dons para a sua Igreja e para o seu povo.

"A Hierarquia se admira porque são demais
os carismáticos nos dias de hoje.
Será que Deus mudou? Não disse  nos Salmos:
'Deus dá a palavra; os mensageiros e
as anunciantes são em grande número'?"

·      A AÇÃO DO PADRE SPIRITUAL

          O padre espiritual se encontra logo diante da dificuldade de como acompanhar um carismático. Como fazer? Eis alguns pontos concretos:

1. Quem se prepara a orientar espiritualmente pessoas carismáticas deve saber que vai enfrentar um trabalho muito delicado, comparado com o esforço do camponês que cultiva com paciência as plantinhas de arroz, ficando muito freqüentemente com os pés na água por muitas horas.                    
Todos estes sacrifícios serão, porém, recompensados, porque os padres espirituais participarão do bem que os carismáticos podem fazer, graças ao trabalho desenvolvidos por eles.
                        Amor, coragem e sacrifício são as três características principais que se exigem de um verdadeiro padre espiritual.

2. O trabalho principal do padre espiritual consiste em ajudar os carismáticos a discernir e a realizar a Palavra que a eles se manifesta. Esta ajuda é uma exigência necessária para os nossos dias, sendo difícil o momento que estamos passando. Para isso, o padre espiritual deverá também interessar a Hierarquia da Igreja para que se dobre para os carismáticos, os receba e os escute com amor, com fé e com simplicidade paterna. Durante o acompanhamento espiritual do carismático, o padre espiritual deve ponderar se as locuções ou mensagens buscam o bem. Se forem nesta direção, ele deverá prestar muita atenção para por em prática toda mensagem, pelo contrário ele perderia a capacidade de orientar e acompanhar o carismático.

3. É necessário corrigir com amor e paciência os carismáticos, que muitas vezes podem parecer "verdes", porque ainda receberam pouco 'sol'. Torna-se importante ajudar sobretudo os carismáticos fechados, que querem isolar-se, que pretendem caminhar sozinhos. Aos poucos devem ser ajudados a abrir-se, a compreender que devem favorecer e colaborar para a unidade de todos os carismáticos, pondo em comum os dons recebidos do Senhor para o bem de toda a Igreja.., Se não se comunicam, se não são uma só coisa entre si,  não poderão realizar aquela unidade interna de toda a família carismática mundial, que tanto deseja o nosso Deus.. É neste ponto que deve concentrar-se bastante a atenção dos padres espirituais.

4. Um meio muito importante que vem frisado por muitos, são os Exercícios Espirituais, para os quais o padre espiritual deveria orientar ao carismático... Estes Exercícios são um momento forte de fé. Pela sua dinâmica interna, eles desenvolvem aquele trabalho de purificação e de libertação espiritual necessário para quem deve orientar toda a sua vida no amor à verdade e à justiça. Da mesma forma, os Exercícios espirituais servem para purificar carismáticos que parecem não combinar entre si, mas que poderão ser confrontados depois de um paciente trabalho de purificação interior.

5. O padre spiritual deve prestar também bastante atenção, para que o carismático entre no pensamento de Deus, isto é, não somente reconheça o dom recebido pelo Senhor, mas sobretudo saiba a finalidade, pela qual lhe foi dado. Esta percepção não é dada pela quantidade de carismas doados, não consiste no número de visões ou de mensagens recebidas, mas do fato de ser mais ou menos entrados no Pensamento de Deus. Por isso, o carismático deve acostumar-se a rezar com insistência:"Senhor, ajuda-me a penetrar no teu pensamento"

6. O carismático deve ser ajudado a levar adiante com fé a sua missão.  Muitas vezes ele pode experimentar uma certa ausência de Deus, como se o Senhor se afastasse ou se escondesse. Este fato pode suscitar nele o medo de continuar a obra do Senhor. O padre espiritual deve ajudá-lo a não desanimar, a não parar, mas a continuar com fé a missão recebida, porque é a fé que deve animar as obras de Deus.

Outras vezes o carismático pode ter as impressão que o seu carisma não dê fruto e a humilhação pode ser grande. O padre espiritual o ajude a saber bendizer sempre o Senhor, que vê e percebe todo esforço feito para ele, mesmo que os frutos não apareçam na medida e no tempo em que nós desejaríamos.



7. Cabe ainda ao padre espiritual ajudar o carismático a saber superar as assim chamadas provações da perseverança: são aquelas pequenas incompreensões que às vezes surgem entre pessoas boas, como certas apreciações apressadas, certas contradições que aparecem ou certos projetos que não se realizam. São momentos em que se deve perseverar com confiança no amor do Senhor e nos quais o carismático é chamado a dar prova de sua perseverança.

É tarefa também do padre espiritual preparar o carismático para que saiba superar também todos os momentos de aridez espiritual, que antes ou depois irão aparecer. Saber esperar com confiança o novo sopro do Espírito Santo, sem correr aqui e acolá atrás de novidades ou de outros "deuses", como fez Salomão nos últimos anos de sua vida.

O padre espiritual explique que as provas de aridez espiritual são permitidas pelo Senhor justamente para testar se ainda se pode confiar no carismático e no exercício dos seus carismas extraordinários.

1.     Quando houver publicamente esta associação,
os sacerdotes não chamarão de histéricas ou loucas
as pessoas que têm carismas,
mas em confissão, limitar-se-ão a dizer;
"Não sou competente, mas se dirija a ..."
Quanto sofreram sempre estas pessoas
por incompreensão de sacerdotes...
Assim as almas serão encaminhadas
a esta associação.
Eu prometo milagres sobre milagres
se forem pedidos por todos os carismáticos juntos". (15.10.67)

2.  "Toda locução de carismáticos não colocada em prática
ou não ouvida pelos sacerdotes guias,
(sempre que tendam ao bom e ao bem)
é um grau de luz a menos
que é tirado aos diretores espirituais.
Grita isto aos diretores de almas privilegiadas" (26.07.70)

3. "Os diretores espirituais de almas privilegiadas
que não cuidam, de ajudá-las a realizar a minha Palavra,
o meu mando ou de minha Mãe,
arrisca-se a passar anos de Purgatório.
Eu não falo em vão. Eu sei quando chamo.  
Eu exijo porque o momento é grave.
A alta Hierarquia se deve baixar,
inclinar para os carismáticos com amor,
com fé, com simplicidade paterna.
O mesmo Papa Paulo deve dispor de tal forma
que receba e ouça os carismáticos.
Quem vos recebe, recebe a Mim e a Minha Mãe". (23.10.73)

4.  "Aos diretores espirituais dirás:
os carismáticos são como as plantinhas de arroz.
O trabalho dos diretores é empenhativo
e, às vezes, exige deles sacrifícios.
Não põem por muitas horas os pés na água
os que descascam o arroz?
Mas vos digo que grande será a recompensa
dos diretores de almas extraordinárias
que de verdade se dedicam.
São coparticipantes do bem
que os carismáticos podem fazer.
Coragem, meus diretores,
descascai com amor, com coragem, com sacrifício.
Vós ajudais, assim, a dar comida espiritual
à minha Igreja, sobretudo Hierárquica". (17.06.74)

5. "Tudo se desenvolveu hierarquicamente,
e agora é a alta Hierarquia que deve providenciar.
Esta é a sua função.
Dirigi o rebanho aos seus guardas (padres espirituais)
dirigi estes aos pastores (bispos),
agora a ação é do episcopado.
A recompensa celeste que terão
supera de muito as suas expectativas". (07.03.72)

6.  "Dize aos Bispos e meus sacerdotes,
que se eles se aplicarem a estudar a minha Palavra
manifestada aos meus instrumentos,
se não tiverem soberba, mas humildade e espírito de verdade,
o Pentecostes descerá sobre eles". (25.07.72)

Momento de Espiritualidade do MC


 Franca Cornado e Padre João Pedro Cornado: um sinal de Deus, quando ele une a Igreja Carismática com a Igreja Hierárquica no amor de uma mãe pelo seu filho.



05.02.70

A verdade e a grandeza dos carismas Não podem ser lançadas ao mundo a não ser com a unidade. Sede então muito unidos. Repito-vos : é da unidade que emana a verdade. Os sacerdotes que aderem para colaborar ... devem tomar um compromisso da consciência diante de Mim. Eles terão um dom preferencial de apóstolos : os verdadeiros. Tenho também carismas novos, prontos para serem generosamente distribuídos sobre a terra; quando aparecerem, a ciência ficará plasmada.



Foi realizado sábado passado, dia 05 de janeiro, no Auditório Frei Mário Monacelli, na Paróquia de São Sebastião, o 1. Encontro sobre a Espiritualidade do Movimento Carismático de Assis e vida da Fundadora Franca Del Ri Cornado. Edson Glauber explicou um pouco sobre a trajetória do M.C. na Itália e no Brasil, falando sobre a espiritualidade do M.C. e a sua ação no discernimento dos carismas extraordinários, explanando os conceitos, a acolhida, o perfil do confidente e a ação de Deus na vida de Franca Cornado e nos tempos atuais.
Um ponto delicado e aprofundado neste  Encontro foi a ação de Deus na vida da Fundadora e de seu filho Padre João Pedro Cornado,e a relação dos dois no projeto de amor de Deus, simbolizados no amor da mãe por seu filho, mas que na verdade é o amor do confidente ( Franca), como a sua obediência e humildade diante da Hierarquia da Igreja ( Padre João Pedro).
O que foi dito no encontro foi uma breve pincelada, algo muito rápido, mas que pode ser tema para um estudo e aprofundamento mais à frente, nos próximos encontros ou retiros espirituais. Assim sendo, podemos compreender claramente: confidente e sacerdote sendo representados nos tempos atuais, desde a fundação do M.C. por estas duas pessoas, escolhidas por Deus para ensinar à Igreja e ao clero a união que se deve ter entre os carimásticos e sacerdotes para a plena realização da obra de Deus, por meio dos carismas extraordinários.